Discurso de Encerramento

Meus caros, leiam na íntegra o discurso de encerramento proferido pelo Secretário-Geral Gabriel Pimenta.

“Caros,

Cinco dias são muito pouco tempo. Especialmente agora, quando a geração recém-nascida deverá viver por volta de noventa anos. Cinco dias são nada além de gotas no vazar da oceânica clepsidra das nossas vidas. Porém, cinco dias podem ser muito mais significativos que anos inteiros. Revoluções podem durar apenas cinco dias, mas perdurar por séculos. Em muito menos de cinco dias o poderio bélico contemporâneo pode aniquilar a vida no planeta. Nesse período curtíssimo, vidas podem mudar, vocações podem ser descobertas, amores podem ser encontrados ou desfeitos. E tenho certeza que estes últimos cinco dias foram, para todos nós, desse tipo especial de tempo, cuja relevância é infinitamente maior que a duração.

Durante o MINI-ONU vocês puderam chegar bem mais perto do fascinante mundo da política internacional, não apenas como meros observadores, mas executores, efetivos sujeitos cujo fruto do trabalho refletirá mundialmente. Emaranharam-se na complexidade dos temas globais, emergindo às vezes com soluções criativas, às vezes de mãos vazias, atordoados pela intrincada trama de interesses e conseqüências. Ganharam experiência como oradores, negociadores e especialmente como cidadãos. Aprenderam com cada minuto, seja através das discussões políticas, seja com as interações humanas, tão ou até mesmo ainda mais importantes que os lobbies e negociatas. Saíram daqui sem dúvida alguma maiores.

Faço aqui um breve parêntesis, se vocês me permitem, para dizer que este discurso, tão laudatório ao evento, não é imbuído em instante algum de falsa retórica. Faço todos estes elogios ao modelo com a convicção de quem está no sexto MINI-ONU consecutivo, duas vezes como delegado e quatro vezes como membro da organização. Falo com a paixão de quem entrou quase por engano no evento, e de quem se despede, quando do término deste discurso, com um doído aperto no coração. Pois hoje me despeço, seis anos mais velho, mas décadas mais experiente, do MINI-ONU. Digo adeus comovido, como quem se despede de um ente querido. Talvez estaria dizendo adeus a um filho, que vi crescer e mudar, mas não. O MINI-ONU é muito maior que eu, ou qualquer um de nós. Despeço-me dele como quem diz adeus a alguém que mudou muito a minha vida, me ensinou o valor do trabalho, do esforço e da amizade, me fez crescer. Despeço-me do MINI-ONU como quem diz adeus a um pai.

Porém, nenhuma fração desta experiência inesquecível seria possível sem o árduo labor de dois grupos, diametralmente opostos, mas inexoravelmente complementares. O primeiro, os membros da organização. Não citarei ninguém nominalmente, pois ao fazer isto eu correria o risco de esquecer uma só pessoa, e isto seria mais que um lapso, seria sim um pecado mortal. Porque todos os que verdadeiramente se dedicaram ao MINI-ONU são engrenagens fundamentais para que esta máquina funcione. Os amigos voluntários, nossos músculos, nossos braços e pernas, que em sua humildade a servir a todos, sabem que nada é mais recompensador que o trabalho bem executado. Os amigos diretores assistentes, que assumiram muitas vezes o fardo de levarem o comitê adiante, sem qualquer exigência em troca. Os amigos diretores, nossos cérebros pulsantes e pulsos de ferro, que compreenderam que seu trabalho servirá de exemplo para muitos, e que tendo à frente tal desafio, responderam com trabalhos de nível elevadíssimo e uma dedicação raramente vista. E por fim os colegas da coordenação, que ao longo dos últimos doze meses se mostraram muito mais do que uma equipe de trabalho, e sim uma fraternidade. Uma fraternidade que empregou todos os seus esforços para um único objetivo: realizar um MINI-ONU histórico.

Segundo, os delegados. Mais uma vez não posso agradecer nominalmente a cada um de vocês, já que um discurso que tentasse citar novecentos e setenta e três nomes seria algo irracional. Porém saibam que se pudesse, eu agradeceria a todos pessoalmente. Aos que estão aqui pela primeira vez, pela coragem de tentar algo novo. Aos que retornaram, pela oportunidade que vocês nos dão de saber que estamos trilhando o caminho correto. E a todos, todos, pela audácia de imaginar conosco durante estes cinco dias um mundo no qual o diálogo é sempre a melhor ferramenta. Um mundo onde a política não é iniqüidade, mas sim meio legítimo. Um mundo onde o valor da força é sempre sobrepujado pela força dos valores.

Declaro portanto encerrado o MINI-ONU 10 Anos.”

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