Primal Times

Caros delegados (e também jornalistas),

um dos traços mais marcantes da sociedade hodierna é a velocidade atingida pelos meios de comunicação. Atualmente é possível acompanhar os mais diversos fatos ocorridos em todo o mundo em tempo quase instantâneo, e não à toa, pela velocidade e volume cada vez maior de dados circulantes, alguns dão aos tempos atuais a alcunha de “Era da Informação”.

Sendo a informação tão importante, é óbvio que o MINI-ONU não poderia deixar de ter seu próprio canal de comunicação. O Primal Times é o jornal oficial do evento, através do qual serão divulgadas as novidades sobre os comitês, notícias que poderão influenciar o curso das discussões, e informações gerais do evento. Anteriormente escrito por voluntários do curso de Relações Internacionais, hoje o jornal é escrito em colaboração entre alunos do ensino médio e estudantes de Jornalismo.

Esta é uma tentativa de abranger ainda mais a realidade simulada, uma vez que cada vez mais a sociedade tem papel ativo nas negociações governamentais, e grande parte dessa atuação se dá através da mídia. Portanto, se vocês estão em sintonia com a tal “Era da Informação”, e buscam informações atualizadas, estejam atentos ao Primal Times nos dias do evento!

Proposta de resolução

Seguindo nosso pequeno manual das pequenas coisas que constroem o fascinante meio dos modelos, e logo, também do MINI-ONU, hoje uma pequena elucidação sobre o que é uma proposta de resolução.

Os documentos a serem adotados (ou não) ao final de uma reunião de embaixadores devem seguir, via de regra, um determinado formato. E uma vez que eles estabelecem uma série de decisões, seu conteúdo deve ser negociado antes (ou seja, nos quatro dias anteriores de simulação) e sua aprovação votada.

Portanto, ao final dos trabalhos, o consenso acerca das decisões a serem tomadas deve ser apresentado para votação no seguinte formato:

“O Comitê Internacional de Decisões Importantes;

enfatizando seu próprio poder;

considerando as cláusulas do Tratado Internacional de 1981;

resolve que irá extinguir todas as medidas que desobedeçam o Tratado Internacional de 1981;

decide que estão revogadas todas as decisões em contrário.”

Em itálico, as clásulas preambulares, que apenas indicam as fontes de onde emana o poder das decisões contidas na resolução. Em negrito as cláusulas operativas, isto é, aquelas que contém aquilo de substancial a ser decidido e implementado pelos Estados pela resolução obrigados.

Documento de Trabalho

À medida em que o MINI-ONU se aproxima, é de bom tom que todos fiquem mais familiarizados com os termos usados durante a simulação. Um deles serve especificamente para as informações impressas elaboradas pelos delegados, os documentos de trabalho.

De caráter apenas informativo – isto é, a princípio, não é uma decisão tomada pelo comitê – o documento de trabalho tem como função divulgar um determinado fato de importância para o andamento do comitê. Não possui formato fixo, e seu conteúdo pode incluir reasserções sobre política externa, anúncio de consensos, informações técnicas, dentre outros. Para sua divulgação para todo o comitê, o documento de trabalho deve ser encaminhado à mesa para aprovação.

Como aprender na prática, via de regras, é mais fácil, segue abaixo um exemplo de documento de trabalho.

“As nações signatárias deste documento de trabalho declaram de forma enfática e peremptória que estão tomando todas as medidas cabíveis para combater o tráfico de armas, drogas e mendigos em sua fronteira comum. O estabelecimento da Força Especial de Vigilância, principal destas medidas, trouxe resultados significativos, e os países propõem a criação de forças análogas em todos as regiões vitimadas pela mesmo problemas.

Signatários: República de Hatay, Krakhozia, Nibia”

UN.org

Texto breve, mas imprescindível. Afinal, às vezes o mais óbvio é também o último a ser lembrado.  Mas  como ainda faltam dois meses para o MINI, ainda é tempo.

O site da própria ONU é uma ótima fonte de pesquisas. Contém informações sobre como os comitês são organizados, sobre os inúmeros projetos da instituição, e ainda cópias das resoluções adotadas – logo, um verdadeiro tesouro para ser usado antes (e quem sabe até mesmo durante) as negociações.

Abraços

Documento de Posição Oficial – parte 2

Segue abaixo um exemplo de DPO, da República de Hatay debatendo na Organização Mundial de Saúde sobre aquestões culturais sobre as drogas ilíticas – as palavras em negrito são comentários sobre o própósito de cada trecho.

“A República de Hatay está grandemente satisfeita com a possibilidade de participar nas discussões sobre os dilemas culturais concernentes ao uso de drogas ilícitas, uma vez que este é um assunto tremendamente sensível em nossa história, e sentimos que nossas experiências passadas podem trazer esclarecimento ao mundo. Drogas são uma ameaça que pode ferir toda a humanidade, promovendo deterioração de saúde, degradação moral e colocando em risco o desenvolvimento, e pretendemos alcançar assim um abrangente acordo que classifiquem tais substâncias como o perigo real que elas representam. (Apresentação, delineia brevemente e em termos abstratos  a posição nacional)

Dentre nossos princípios de política externa, dois podem ser citados como os mais relacionados ao assunto a ser debatido. Primeiro, nós respeitamos e seguimos a idéia de uma coexistência pacífica, através dos meios de cooperação e igualdade. Logo, nossa ação será direcionada rumo um mundo no qual qualquer ser humano, não importando seu local de nascimento, esteja livre da iniqüidade e maldade das drogas. Segundo, nós respeitamos e seguimos a solidariedade entre países em desenvolvimento, os mais vulneráveis aos efeitos negativos do imperialismo e colonialismo. Este tema é estritamente relacionado ao nosso passado, no qual poderes colonialistas fizeram uso de um antigo hábito – o consumo de haxixe, o qual foi abandonado após todo o sofrimento causado – para promover a opressão e exploração econômica contra nosso povo. (Citação dos princípios da política externa do país relacionados ao tema, define qual será a orientação principal do país durante as discussões)

Portanto, a República de Hatay irá pleitear neste encontro uma extensão de suas bem sucedidas políticas relacionadas às drogas ilícitas. Desde 1934 um massivo esforço tem sido feito para erradicar o cultivo de haxixe no país, e seus resultados são dignos de nota. Além do mais, uma severa, porém justa legislação cobre os crimes relacionados às drogas, dentre eles o tráfico e produção de drogas ilícitas. Em 1990 o governo criou a Comissão Nacional de Controle de Narcóticos, que, composta por membros de diversas secretarias e ministérios, centraliza o trabalho de controle das drogas. Sua agência operacional é o Bureau de Controle de Drogas, presente nas sete províncias do país, e em quase todas as municipalidades. (Como este é um tema que não se restringe ao âmbito internacional, é necessário incluir este trecho que versa sobre quais as políticas internas voltadas ao assunto)

No âmbito internacional, o país é um ativo apoiador de todas as medidas tomadas para o combate às drogas. Em 1978 ratificamos a Convenção sobre Narcóticos de 1961, e no mesmo ano fizemos o mesmo com a Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971; Em 1989 nós ratificamos a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Narcóticos e Substâncias Psicotrópicas. Desde o estabelecimento do Dia Internacional contra o Uso de Drogas e Tráfico Ilícito, a República de Hatay tem se mostrado uma grande apoiadora da iniciativa. No âmbito regional, desde 2002 o país possui um programa conjunto com a ASEAN para o intercâmbio de experiências no combate às drogas. (Exposição das ações tomadas na esfera internacional relativas ao tema, necessária para ‘mostrar serviço’, por assim dizer)

Documento de Posição Oficial

Caros,

antes de mais nada, peço desculpas pelo longo tempo sem atualizações. Uma série de eventos de Relações Internacionais realizados Brasil afora deixaram o editor desta página ocupado no último mês, mas devemos voltar agora à nossa programação normal.

Recebemos alguns comentários questionando sobre como fazer um Documento de Posição Oficial, ou DPO para os mais íntimos. Portanto, seguem algumas considerações sobre a confecção deste objeto de tanta controvérsia no mundo modeleiro.

Antes de tudo, destrinchemos o nome. Um Documento de Posição Oficial é algo impresso, emitido pelo estado representado, e que contém as diretrizes adotadas pelo país quanto ao tema abordado. Logo, se a República de Hatay vai à UNESCO discutir sobre bens culturais intangíveis, o DPO entregue pelo delegado responsável trará as medidas que o país adota, nacional e internacionalmente, sobre os bens culturais intangíveis.

Logo, um DPO não revisa toda a política externa do país através da história, à não ser que essa passagem seja essencial para o tema em questão. E de forma alguma um DPO pode se transformar em guia turístico – infelizemente essa prática é recorrente, e os diretores são obrigados a lerem páginas e mais páginas sobre a geografia de um determinado país, sendo que o tema do comitê não tem absolutamente nada a ver.

Outras dicas importantes:
-Um DPO não pode ultrapassar uma página, logo, usem o poder de concisão.
-Identifiquem bem tanto qual é o país representado, como o nome do delegado e do colégio.
-Se possível, utilizem o brasão do Ministério das Relações Exteriores do país no alto do documento.

E por hoje é só. Abraços a todos!

Revistas internacionais

Agora que vocês já receberam as designações, seguem mais algumas dicas de pesquisa. Hoje, algumas revistas internacionais. Porém antes, um conselho que todos devem ter em mente: toda informação é sempre feita por alguém, para algum público, por algum motivo, com algum propósito (decorem isso, delegados do Primal Times!). Portanto, antes de embasar sua pesquisa em qualquer informação, procure antes a linha editorial do veículo de informação.

Para ficar num exemplo simples: os representantes de um país socialista não irão encontrar informações imparciais sobre sua nação postiça no conservador Wall Street Journal. E o mesmo pode ser dito caso os delegados de países capitalistas façam sua pesquisa baseados no Granma. Dito isso, vamos

Uma outra dica: revistas costumam oferecer abordagens conjunturais, deixando perspectivas estruturais de lado. Desta forma, caso você esteja procurando ficar a par de acontecimentos recentes, as revistas são sim uma boa opção. Mas se você procura uma análise um pouco mais aprofundada de um caso, ou que envolva uma linha temporal mais longa, não se atenha somente a elas.

Isso dito, vamos a algumas das mais prestigiosas. A revista Foreign Policy é dedicada exclusivamente à (como diz seu próprio nome) política internacional, e via de regra traz reportagens longas e interessantes sobre temas atuais. Além disso, em sua página eletrônica estão hospedados alguns blogs, sempre atualizados por especialistas em Relações Internacionais. Um revés: conteúdo somente em inglês.

A Economist, apesar de seu nome, é também uma das mais completas publicações sobre fatos da política internacional, e apresenta em sua página seções divididas por regiões, o que pode facilitar a pesquisa. Infelizmente, também só oferece conteúdo em inglês.

A alemã Der Spiegel, ao contrário das outras revistas citadas, disponibiliza conteúdo em português, acessível através do site do UOL.

E por hoje é só. Bons estudos (e boas férias, para quem já está à toa!)